Ola pessoal - tudo bem ? Seguindo a sugestão do colega Soldado do Milhão, eu decidi fazer uma postagem falando um pouco da minha trajetória profissional ate o momento. A ideia é falar um pouco do inicio como estagiário (sempre a fase mais dificil), depois como eu fui evoluindo ate chegar ao meu cargo atual. Além disso, falar um pouco também das ajudas que tive, do networking que me trouxe possibilidades, das puxadas de tapetes e inimigos que colecionei na trajetória; ou seja, essas coisas comuns do mundo corporativo.
Estagiário (14 - 16 anos) - R$ 100,00 / mês: eu acredito já ter comentado em alguma postagem, mas eu iniciei minhas atividades como estagiário em uma industria metalurgica. Aqui vem o primeiro acerto que eu considero na carreira que foi ter feito um curso de mecanica geral no SENAI - na verdade nao foi um acerto meu, mas sim do meu pai. Eu nao queria fazer o curso, nao me sentia atraido ou motivado para trabalhar na industria e ainda tinha o sonho de tentar ser jogador de volleyball. Meu pai disse que eu poderia jogar o quanto quisesse desde que eu aprendesse uma "profissão de verdade" (palavras dele). Acabou que ele me obrigou a fazer o curso e eu agradeço muito a ele por isso.
Quando eu finalizei o curso, uma empresa abriu um processo de seleção para estagiários e meu professor do SENAI enviou uma carta de recomendação da empresa indicando tres alunos, sendo que eu era um deles. Apesar de eu nao gostar muito do curso, meu pai sempre me obrigou a tirar boas notas - isso sempre foi uma questão de honra para ele e acabou passando isso para os filhos. Com essa carta de recomendação eu acabei sendo contratado e comecei minhas atividades. Trabalhava seis horas por dia e aprendi bastante nessa empresa.
No final do periodo de estágio, a empresa informou que nao poderia "contratar/efetivar" os tres estagiários que tinha na area. Eles falaram que ficariam com dois e sabendo que haveria uma eliminação, eu comecei a prestar bastante atenção para mostrar que eu poderia fazer mais do que minha atividade de estagiário e que deveria ser contratado. Finalmente, teve um dia que um lote inteiro da produção saiu com dimensões erradas e isso exigiria um retrabalho das peças e alguem teria de inspecionar as peças para garantir que finalmente estavam aprovadas para mandar para o cliente. Na hora eu me ofereci para ficar e inspecionar as peças - mas meu chefe disse que o retrabalho só ficaria pronto perto das 21:00 horas, então ele agradeceu mas disse que eu nao poderia ficar por ser horário noturno.
Naquela noite eu fui para escola e quando deu o intervalo, eu sai da escola e fui para empresa. Entrei na portaria e fui diretamente ao chão de fabrica onde estavam inspecionando. Meu chefe me viu e perguntou porque eu estava lá. Eu disse que queria colaborar para a gente nao perder a entrega para o cliente (mas na verdade eu queria era mostrar que eles podiam contar comigo e me contratarem). Meu chefe me agradeceu e disse novamente que eu nao poderia ficar lá. Eu voltei então para escola e depois fui para casa. Resumindo bastante, depois de dois meses chegou o momento de decidirem quem eles iam efetivar e eu acabei sendo um dos contratados. Meu chefe depois me disse que a minha iniciativa em ter ido até lá mesmo ele já tendo me dispensado do trabalho foi o que marcou para ele me contratar.
Entao, o que posso ressaltar nessa experiencia foi o inicio da percepção de que nao basta fazer um bom trabalho. Também é necessario criar uma imagem profissional no ambiente de trabalho - as pessoas tem de ter uma boa percepção da qualidade do seu trabalho e da sua postura.
Profissional Tecnico (16-18 anos) - R$ 380,00 / mês: logo que fui efetivado o meu salário aumento bastante - de R$100 para R$380 / mês. Apesar de ser um aumento importante, obviamente ainda era um salário muito baixo e eu passei a trabalhar periodo integral. Aos poucos, as responsabilidades foram aumentando, mas eu estava focado em aprender e estudar para faculdade. Nesse periodo eu tive duas decepções no mundo corporativo.
A primeira foi que o sindicato apareceu na empresa e verificou que as pessoas ganhavam menos do que o piso salarial para algumas funções. O salário do pessoal aumentou para R$420,00/mês - mas o meu salário nao foi alterado. Quando eu fui perguntar o motivo do meu salário nao ter sido alterado me disseram que eu ja tinha ganha um aumento grande e que meu cargo era tecnico (nao era um profissional completo) e que devia me dar por satisfeito com esse trabalho. Lembro que nesse dia eu fiquei muito revoltado - mas continuei trabalhando porque meu pai estava doente na epoca e eu ajudava nas contas de casa.
Deixei essa primeira decepção de lado, continuei trabalhando e estudando para entrar na faculdade. Nessa mesma época entrou na empresa um "supervisor" para a area. Esse era um cara muito arrogante e que se achava melhor do que os outros porque o pessoal ali era novo e ela ja tinha experiencia de ter trabalhado em uma grande industria. Esse cara nao era meu chefe mas pegava muito no meu pé: queria saber que horas eu ia almoçar, o que estava fazendo, os projetos da semana, os relatórios e tudo o mais. Eu simplesmente ignorava ele, mas por dentro eu ficava muito nervoso.
Um dia estavamos em um grupo de amigos falando sobre as universidades e cursos que gostariamos de fazer e esse "supervisor" chegou se intrometendo no assunto. Perguntou o que cada um ia fazer e nao perdeu a oportunidade de debochar de todos dizendo que nao tinhamos competencia para entrar em uma faculdade ou coisa assim. No meu caso era um pouco pior porque eu teria de fazer faculdade publica ja que meu pai estava doente e nao teria como pagar um faculdade particular. Quando um colega disse que eu iria tentar uma faculdad publica na região - esse cara olhou para mim e disse: "Olha EP - voce nao tem capacidade de passar em um vestibular de faculdade publica. Melhor nem gastar o dinheiro da inscrição. Se conforma que voce vai ficar com seu curso de SENAI e ja esta empregado e tem salário - então tem que agradecer. E eu ainda vou ser seu chefe, então voce vai aprender como trabalha de verdade".
Me segurei para nao falar meia duzia de palavrões e mandar esse cara para um lugar nao muito confortável; mas aquilo serviu como impulso para eu estudar mais e, quando chegou o resultado do vestibular, eu havia passado em 10° lugar para Engenharia Mecanica. Naquele dia cheguei mais cedo no trabalho só para ver a cara dele - todo mundo me dando parabens, o diretor da fabrica me pagou um churrasco, mandou fazer uma faixa e colocou lá na produção ... e eu só esperando o camarada chegar. Coincidentemente ele nao veio trabalhar naquele dia.
Então, eu fiz uma vaquinha com outros colegas que passaram no vestibular e compramos 60 jornais do dia (antigamente os resultados dos vestibulares das faculdades publicas saiam nos jornais com uma lista de aprovados); marcamos a pagina e os nomes dos aprovados e enviamos um jornal por dia para casa dele para ele lembrar pelos proximos dois meses que eu havia sido aprovado. Também perguntei ao diretor da fabrica se podia colocar a faixa na sala onde eu trabalhava em vez de deixar na produção - ele autorizou e pedi para colocarem exatamente na parede que ficava a mesa dele para ele ver todo dia. O diretor deixou a faixa uns 90 dias por lá.
Nesse periodo eu aprendi também que tem pessoas que querem que voce nao consiga atingir seu objetivo. Eles nao ganham nem perdem nada com isso, mas simplesmente nao suportam ver alguem feliz ou atingindo metas. O fato da pessoa nao conseguir algo que tinha planejado, por algum motivo faz bem para o ego dessas pessoas. Temos de tomar muito cuidado com esses caras.
Na sequencia, eu comecei a realizar funções cada vez mais importantes e nada de ter um aumento. Nessa epoca meu pai me chamou, me entregou a minha carteira de trabalho e disse para eu ir pedir demissão porque nunca seria reconhecido naquela empresa. Comentei da nossa situação financeira e ele me disse: eu sou seu pai, um prato de comida e teto nunca vai te faltar. Agradeço a sua ajuda mas nao tive filho para ser explorado. Vai lá e sai fora dessa empresa.
Nunca fui tão feliz trabalhar - cheguei lá, chamei meu chefe e pedi demissão. Fui embora aliviado.
Profissional Junior (18 - 22 anos) - R$ 1.200,00 / mês: depois que sai dessa empresa, eu comecei a enviar curriculos e tentar agendar entrevistas. Enquanto nao aparecia nada, eu comecei a trabalhar de garçom e pintor para levantar um dinheiro. Depois de alguns meses, outra empresa da cidade me chamou para trabalhar como projetista junior e me ofereceu um salário compativel com o mercado na epoca. Fiquei muito feliz, porque se nao fosse o empurrão do meu pai eu ainda estaria na empresa anterior ganhando muito menos. Comecei a aprender com um engenheiro mais experiente que tinha por lá e mantinha meus trabalhos como pintor e garçom em paralelo para poder fazer um pouco mais de dinheiro. Nessa empresa eu aprendi bastante e o ambiente era muito legal. Comecei a trabalhar direto com o dono projetando um veleiro para o uso pessoal dele. Depois acompanhei a fabricação e ainda nos convidou para o batismo da embarcação e fomos velejando de São Paulo a Angra dos Reis. Acho que foi a primeira vez que vi o resultado prático do meu trabalho e aquilo me motivou muito.
Lembro que um dia nessa empresa eu fiz uma grande burrada. Eu misturei dois projetos de clientes e acabei produzindo os dois projetos errados. A menina do Departamento de Vendas veio e falou um monte de besteira para mim - disse que eu incompetente, que era limitado e que nunca ia conseguir fazer um projeto direito (ela nao sabia que eu estava fazendo o projeto do veleiro para o dono). Nessa epoca eu ja era um pouco mais velho e ja tinha mais confiança e menos tolerancia para ofensas. Eu falei para ela que aqueles projetos pagavam o salário de todos na empresa, inclusive o dela. Então se ela tivesse uma solução para o problema eu ficaria feliz em ouvir e se ela nao tivesse a solução para o problema e estava ali somente para apontar o erro, ela podia ir embora e tentar vender um pouco porque nos ultimos dois meses eu nao tinha recebido nenhum projeto que ela tivesse vendido e eu precisava consertar aquilo para ela receber salário no final do mes.
Quando eu falei essas coisas ela ficou muito nervosa e foi embora. Passou umas horas e veio um camarada da produção tirar satisfação do porque eu tinha sido mal educado com a mulher dele. Rapaz - a mulher era esposa de um cara gigante. Pensei na hora que eu ia apanhar ate nao aguentar mais; mas por incrivel que pareça o cara foi super gente boa. Eu expliquei para ele a situação e ele falou que a mulher dele, as vezes, era muito mal educada mas eles estavam com um problema com a filhinha deles em casa e que eles precisavam muito daquele dinheiro do projeto (recebiamos bonus se entregar antes do prazo). Eu pedi desculpas e expliquei para ele que eu, obviamente, nao havia errado de proposito e estava fazendo o maximo para corrigir o erro o mais rapido possivel. O cara ainda se prontificou a ficar ate mais tarde e me ajudar com o que fosse preciso. Esse cara era muito gente boa e me ajudou a entender que as vezes algumas pessoas tem comportamento ruim no trabalho (te tratam mal ou sao mal educadas) como reflexo de nao suportarem a pressão de alguma outra coisa que esta ocorrendo (no caso deles era o problema com a filha).
Também nessa epoca eu comecei a viajar bastante para prestar serviços de pós venda. Normalmente eram tres pessoas na equipe: um tecnico mecanico, um tecnico eletronico e eu. Tenho muitas histórias dessas viagens porque isso envolvia entrar em locais considerado perigosos para fazer algumas manutenções de instalações.
Mas foi também nessa época que eu finalmente conclui minha graduação. Na materia final havia um professor que era famoso por reprovar a maior parte da turma. O camarada só tinha aquela aula na faculdade e se esforçava ao maximo para dificultar as coisas - em uma turma de 28 a 30 alunos que chegavam na ultima materia, ele aprovava entre 2 a 5 pessoas. Nunca aprovou mais do que isso e os alunos viviam reclamando na secretaria e protocolando pedidos de revisao, mas isso mais atrapalhava do que ajudava a conseguir alguma coisa.
No dia que saiu as notas finais dessa materia, tres amigos e eu haviamos sido aprovados. Foi uma alegria geral e combinamos de comprar bebidas para comemorar no dia seguinte. Meu avo me arrumou uma garrafa de conhaque, um colega levou vodca e outro levou um whisky muito ruim. Começamos a comemorar e, como ja era esperado, ficamos bebados. A faculdade nao permite bebida dentro do campus e existe punições para quem for pego com drogas ou alcoolizado. Como nao tinhamos muito juizo, acabamos entrando na aula mesmo embriagados. Sentamos lá no fundo da sala e ficamos quietos. Lá pelo meio da aula o professor fez uma pergunta e o colega respondeu - todo mundo começou a rir porque a voz dele saiu toda pastosa ... bebado mesmo. O professor foi camarada e disse: eu vou fazer de conta que nao vi voces aqui hoje. Saiam da aula, eu nao vou dar presença mas também nao vou levar esse assunto de voces estarem bebados para a secretaria. Sumam daqui e eu nunca vi voces.
Saimos correndo da aula e fomos para um local mais tranquilo no campus. Ate que comecei a passar mal e me deu vontade de vomitar. Pedi para um colega me ajudar a ir no banheiro. Fomos no banheiro mais proximo que era no predio da administração - com isso, quando estava quase chegando eu senti o estomago revirar e fiquei tentando segurar a vontade de vomitar - ate que chegou uma hora que nao deu mais. Acabei vomitando no corredor (antes de chegar ao banheiro) e foi uma confusao só. As meninas cheias de nojo e gritando, meu amigo bebado começou a vomitar porque me viu vomitando, a faxineira gritando que a gente era um bando de vagabundo fazendo bagunça e chamando a secretaria. No meio da confusao, outros amigos apareceram com o carro e levaram eu e meu amigo para fora do campus - nessas horas que a gente percebe quanto vale um amigo de verdade.
No dia seguinte esse era o assunto na faculdade. O pessoal dizendo que eu tinha sido o personagem que havia vomitado e meus amigos falando que nao era eu; que eu nem tinha vindo na aula no dia anterior. Acabou que o coordenador do curso e o reitor chamou para uma conversa e, obviamente, negamos que estivessemos nessa confusao e falamos que a faxineira havia se confundido. O reitor ameaçou suspender a sala toda se ninguem falasse quem foi ... e por incrivel que pareça, apareceu quatro colegas falando que tinha sido eles. Como o reitor sabia que nao havia sido os quatro, ele percebeu que a galera estava mentindo e ia proteger o camarada (no caso, eu e meu amigo) até o final. Acabou que nao aconteceu nada mais grave, exceto na colação de grau quando fui pegar o diploma e o reitor me falou: "eu sei que foi voce - sorte que voce tem amigos. Pega o diploma e ve se nao faz mais burrada por ai"
Essa foi a história que mais me marcou na faculdade e ate hoje esse assunto volta na roda de amigos. Isso mostra duas coisas - a primeira é que por uma atitude inconsequente (ir para a faculdade bebado) eu poderia ate ter sido expulso e prejudicar a minha vida de maneira muito seria. A segunda coisa é que voce percebe quem sao seus amigos na hora do sufoco - algumas pessoas que eu nem conhecia direito me ajudaram a sair da faculdade. O pessoal era grato porque eu ajudava todo mundo nos estudos, nos trabalhos, nas provas, etc... Claro que muitos me ajudavam também, mas eu nunca neguei ajuda e isso me valou ser bem popular entre a turma. Esse é o tipo de networking que começa a valer a pena, apesar de eu ter tomado uma atitude muito burra e arriscado minha graduação.
Profissional Pleno (22 - 26 anos) - R$ 2.800,00 / mês: depois da minha graduação, eu comecei a procurar empregos mais qualificados em busca de um salário melhor. Passei em uma entrevista em uma empresa multinacional e comecei a trabalhar por lá. O trabalho era simples e a remuneração era bem maior do que a anterior, além de ter outros beneficios. Ja nessa epoca, eu conheci a Sra EP e começamos a namorar. Também comprei meio primeiro carro - um Scort 82. No primeiro dia que fui sair com a Sra EP como namorado oficial (ja havia ido a casa dela e falado com os pais), combinamos de ir a uma balada em uma regiao bacana da cidade. E lá fomos nós - eu, a Sra EP e meu carro velho. Acabou que meu carro quebrou no meio de uma avenida bem movimentada. Eu quase morri de vergonha e nao sabia o que fazer - e a Sra EP só dando risada. Ai, de repente, ela falou para eu esperar um minuto. Tirou o sapato de salto e desceu do carro. Quando percebi ela estava la atras do carro para empurrar. Na hora desci também e fui empurrando ali pela porta do motorista. O pessoal fazendo um monte de piadas e ela nem ligando. Nessa hora eu ja percebi que ela era uma menina bacana e que valeria a pena continuar com ela.
As coisas no trabalho foram tranquilas e quando estava já alguns anos na empresa,meu chefe me chamou para falar de uma promoção. Disse que eu estava fazendo um bom trabalho e ia me promover - isso foi perto da epoca do meu casamento. Então uma promoção ia ser muito bem vinda. Só que os meses foram passando, eu casei, continuei trabalhando e nada da promoção. Cerca de seis meses depois eu cobrei meu chefe sobre a promoção e ele disse que estava saindo no proximo mes. Passou mais tres meses sempre com a mesma conversa e a promoção nao chegava. Ate que finalmente, ele me chamou em uma sala, me entregou uma carta e disse parabens pela promoção, voce fez por merecer. Eu agradeci e fiquei feliz. Quando cheguei na minha mesa e abri a carta eu nao acreditei - a promoção era um aumento de R$120,00 - ou seja meu salário iria passar de R$2.800 para R$2.920, ou seja, 4,1% de aumento. Fiquei revoltado porque os colegas que eram promovidos levavam de 20 a 30% de aumento naquela epoca.
Nesse momento eu percebi que apesar de excelentes avaliações eu nao seria promovido porque havia uma fila "informal" para a promoção dos amigos do chefe. Eu ja estava lá há muito tempo e nao tinha me tornado amigo do chefe, logo eu percebi que era carta fora do baralho. Comecei entao a procurar outro emprego, mas mandava muitos CV e nao tinha quase nenhum retorno. Quando aparecia entrevistas, ainda eram empresas oferecendo remuneração muito baixa e exigindo milhares de qualificações. Continuei mandando CV por um bom tempo e sem nenhum resultado concreto. Até que um amigo meu recebeu uma oferta de emprego de outra empresa, ele aceitou e quando chegou por lá, disseram que precisavam de outro profissional e ele me indicou.
Vou terminar essa postagem por aqui porque ja ficou bastante longa e continuo com esse relato na proxima postagem.
Um grande abraço,
Mas foi também nessa época que eu finalmente conclui minha graduação. Na materia final havia um professor que era famoso por reprovar a maior parte da turma. O camarada só tinha aquela aula na faculdade e se esforçava ao maximo para dificultar as coisas - em uma turma de 28 a 30 alunos que chegavam na ultima materia, ele aprovava entre 2 a 5 pessoas. Nunca aprovou mais do que isso e os alunos viviam reclamando na secretaria e protocolando pedidos de revisao, mas isso mais atrapalhava do que ajudava a conseguir alguma coisa.
No dia que saiu as notas finais dessa materia, tres amigos e eu haviamos sido aprovados. Foi uma alegria geral e combinamos de comprar bebidas para comemorar no dia seguinte. Meu avo me arrumou uma garrafa de conhaque, um colega levou vodca e outro levou um whisky muito ruim. Começamos a comemorar e, como ja era esperado, ficamos bebados. A faculdade nao permite bebida dentro do campus e existe punições para quem for pego com drogas ou alcoolizado. Como nao tinhamos muito juizo, acabamos entrando na aula mesmo embriagados. Sentamos lá no fundo da sala e ficamos quietos. Lá pelo meio da aula o professor fez uma pergunta e o colega respondeu - todo mundo começou a rir porque a voz dele saiu toda pastosa ... bebado mesmo. O professor foi camarada e disse: eu vou fazer de conta que nao vi voces aqui hoje. Saiam da aula, eu nao vou dar presença mas também nao vou levar esse assunto de voces estarem bebados para a secretaria. Sumam daqui e eu nunca vi voces.
Saimos correndo da aula e fomos para um local mais tranquilo no campus. Ate que comecei a passar mal e me deu vontade de vomitar. Pedi para um colega me ajudar a ir no banheiro. Fomos no banheiro mais proximo que era no predio da administração - com isso, quando estava quase chegando eu senti o estomago revirar e fiquei tentando segurar a vontade de vomitar - ate que chegou uma hora que nao deu mais. Acabei vomitando no corredor (antes de chegar ao banheiro) e foi uma confusao só. As meninas cheias de nojo e gritando, meu amigo bebado começou a vomitar porque me viu vomitando, a faxineira gritando que a gente era um bando de vagabundo fazendo bagunça e chamando a secretaria. No meio da confusao, outros amigos apareceram com o carro e levaram eu e meu amigo para fora do campus - nessas horas que a gente percebe quanto vale um amigo de verdade.
No dia seguinte esse era o assunto na faculdade. O pessoal dizendo que eu tinha sido o personagem que havia vomitado e meus amigos falando que nao era eu; que eu nem tinha vindo na aula no dia anterior. Acabou que o coordenador do curso e o reitor chamou para uma conversa e, obviamente, negamos que estivessemos nessa confusao e falamos que a faxineira havia se confundido. O reitor ameaçou suspender a sala toda se ninguem falasse quem foi ... e por incrivel que pareça, apareceu quatro colegas falando que tinha sido eles. Como o reitor sabia que nao havia sido os quatro, ele percebeu que a galera estava mentindo e ia proteger o camarada (no caso, eu e meu amigo) até o final. Acabou que nao aconteceu nada mais grave, exceto na colação de grau quando fui pegar o diploma e o reitor me falou: "eu sei que foi voce - sorte que voce tem amigos. Pega o diploma e ve se nao faz mais burrada por ai"
Essa foi a história que mais me marcou na faculdade e ate hoje esse assunto volta na roda de amigos. Isso mostra duas coisas - a primeira é que por uma atitude inconsequente (ir para a faculdade bebado) eu poderia ate ter sido expulso e prejudicar a minha vida de maneira muito seria. A segunda coisa é que voce percebe quem sao seus amigos na hora do sufoco - algumas pessoas que eu nem conhecia direito me ajudaram a sair da faculdade. O pessoal era grato porque eu ajudava todo mundo nos estudos, nos trabalhos, nas provas, etc... Claro que muitos me ajudavam também, mas eu nunca neguei ajuda e isso me valou ser bem popular entre a turma. Esse é o tipo de networking que começa a valer a pena, apesar de eu ter tomado uma atitude muito burra e arriscado minha graduação.
Profissional Pleno (22 - 26 anos) - R$ 2.800,00 / mês: depois da minha graduação, eu comecei a procurar empregos mais qualificados em busca de um salário melhor. Passei em uma entrevista em uma empresa multinacional e comecei a trabalhar por lá. O trabalho era simples e a remuneração era bem maior do que a anterior, além de ter outros beneficios. Ja nessa epoca, eu conheci a Sra EP e começamos a namorar. Também comprei meio primeiro carro - um Scort 82. No primeiro dia que fui sair com a Sra EP como namorado oficial (ja havia ido a casa dela e falado com os pais), combinamos de ir a uma balada em uma regiao bacana da cidade. E lá fomos nós - eu, a Sra EP e meu carro velho. Acabou que meu carro quebrou no meio de uma avenida bem movimentada. Eu quase morri de vergonha e nao sabia o que fazer - e a Sra EP só dando risada. Ai, de repente, ela falou para eu esperar um minuto. Tirou o sapato de salto e desceu do carro. Quando percebi ela estava la atras do carro para empurrar. Na hora desci também e fui empurrando ali pela porta do motorista. O pessoal fazendo um monte de piadas e ela nem ligando. Nessa hora eu ja percebi que ela era uma menina bacana e que valeria a pena continuar com ela.
As coisas no trabalho foram tranquilas e quando estava já alguns anos na empresa,meu chefe me chamou para falar de uma promoção. Disse que eu estava fazendo um bom trabalho e ia me promover - isso foi perto da epoca do meu casamento. Então uma promoção ia ser muito bem vinda. Só que os meses foram passando, eu casei, continuei trabalhando e nada da promoção. Cerca de seis meses depois eu cobrei meu chefe sobre a promoção e ele disse que estava saindo no proximo mes. Passou mais tres meses sempre com a mesma conversa e a promoção nao chegava. Ate que finalmente, ele me chamou em uma sala, me entregou uma carta e disse parabens pela promoção, voce fez por merecer. Eu agradeci e fiquei feliz. Quando cheguei na minha mesa e abri a carta eu nao acreditei - a promoção era um aumento de R$120,00 - ou seja meu salário iria passar de R$2.800 para R$2.920, ou seja, 4,1% de aumento. Fiquei revoltado porque os colegas que eram promovidos levavam de 20 a 30% de aumento naquela epoca.
Nesse momento eu percebi que apesar de excelentes avaliações eu nao seria promovido porque havia uma fila "informal" para a promoção dos amigos do chefe. Eu ja estava lá há muito tempo e nao tinha me tornado amigo do chefe, logo eu percebi que era carta fora do baralho. Comecei entao a procurar outro emprego, mas mandava muitos CV e nao tinha quase nenhum retorno. Quando aparecia entrevistas, ainda eram empresas oferecendo remuneração muito baixa e exigindo milhares de qualificações. Continuei mandando CV por um bom tempo e sem nenhum resultado concreto. Até que um amigo meu recebeu uma oferta de emprego de outra empresa, ele aceitou e quando chegou por lá, disseram que precisavam de outro profissional e ele me indicou.
Vou terminar essa postagem por aqui porque ja ficou bastante longa e continuo com esse relato na proxima postagem.
Um grande abraço,