quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Atualização Patrimonial JAN/21 - R$1.192.877,44 (+5.68%)

 Ola pessoal - tudo bem ? Como voces ja estao sabendo, o Estagiario Junior nasceu em Janeiro e agora as coisas estao mais movimentadas por aqui. Um bebe em casa acaba alterando nao somente as prioridades, mas tambem os horarios. Mas a experiencia continua sendo muito positiva e eu nao me canso de experimentar essas novas emocoes com o filho mais novo, com o filho mais velho agora aprendendo como ser um bom irmao, um ainda nos primeiros meses de vida e outro aumentando o vocabulario em portugues e ingles e aprendendo coisas novas todos os dias. E impressionante como a evolucao do ser humano e exponencial nesses primeiros meses e anos de vida - assisti um documentario da BBC que mostrava os detalhes do crescimento durante os primeiros anos de vida e algo realmente espantoso - muito interessante.

Ao mesmo tempo, existe as frustracoes diarias com a demanda maior nas tarefas (trocar fraldas, dar banho, colocar para dormir, brincar, ensinar, participar das atividades diarias, etc...) e a dificuldade para conciliar com as demandas do trabalho.

Vou pedir uma pequena licenca para abrir a caixa de reclamacoes aqui (as vezes, me sinto em uma conversa com amigos e com oportunidade de desabafar sobre algumas coisas): a empresa onde trabalho tem uma politica de licenca paternidade de 6 semanas - o que e bastante interessante para o padrao americano. A licenca pode ser dividida em ate 6 licencas de uma semana - entretanto, eu decidi dividir em 2 licencas de tres semanas. 

Ate esse momento, tudo correu muito bem - como meu filho nasceu em Janeiro - a empresa ainda estava no fechamento do ano fiscal anterior e divulgacao dos resultados. Eu fui avaliado como "excede as expectativas" pelo setimo ano seguido e atingir todos os targets definidos. Entao, estava razoavelmente tranquilo em tirar minha licenca - ao menos do ponto de vista de entrega de resultados. Alem disso, tem 3 gerentes na minha equipe que dividimos as tarefas e nos preparamos para o periodo da minha licenca.

Obviamente (e infelizmente) eu ja sabia que deveria participar de algumas reunioes estrategicas e ja tinha planejado a agenda para isso. A frustracao veio do fato de demandas comecarem a surgir no dia do nascimento do meu filho e duas horas apos o parto eu ja estava recebendo ligacoes com solicitacao urgente para entrar em algumas reunioes. Deleguei o que foi possivel, mas havia algumas reunioes que nao dava para delegar, seja porque os gerentes nao estavam cientes do assunto ou porque a demanda era especificamente para a minha posicao.

Comecei a acionar meu chefe (tomando um certo cuidado de so levar os temas principais), mas o apoio foi muito abaixo do que eu esperava. E interessante, que durante a minha segunda semana de licenca - ele me ligou para desabafar que estava trabalhando muitas horas por dia. Aproveitei para tambem descarregar minhas reclamacoes, informando que eu estava de licenca paternidade e participando de 3 a 4 reunioes todos os dias, sendo a primeira duas horas apos o nascimento do meu filho. Conversamos um pouco sobre essa cultura e como deveriamos agir para nao deixar essa pressao chegar ao nosso time e demostiva-los. Ate sai um pouco animado da conversa, mas cerca de 45 minutos depois, eu ja recebi a convocatoria de reuniao (do meu chefe) para o dia seguinte as 06:00 da manha. 

O mundo corporativo nunca me decepciona ... e um local de altas recompensas, mas que existe alta demanda tambem; mesmo em momentos onde voce esta de licenca parental ou mesmo licenca medica (ja vi pessoas que sairam de licenca pois tinham de passar por uma cirurgia e participando de conferencias e debates no dia da cirurgia). 

Nao vou aqui pintar o mundo corporativo como um "inferno" - nao e essa a ideia e tampouco a realidade. O mundo corporativo e um lugar que oferece muitas oportunidades e posso dizer que mudou minha vida e da minha familia, com as oportunidades que eu tive. Mas, aproveitando que tem um publico jovem que segue os blogs de financas (o que e muito bom), e preciso estar ciente de que essas oportunidades nao vem de graca. Existe um preco a ser cobrado que pode ser maior para alguns, menor para outros - mas sempre existe um custo. 

Bom, desabafo feito cabe tambem uma analise sobre a situacao atual e planos futuros. Voces vao notar no fechamento que o valor em Reserva de Emergencia continua subindo e nao e por nao ter oportunidades de investir; mas pelo fato de que a Sra Executiva Pobre e eu estamos conversando bastante sobre como vamos direcionar nossa vida nos proximos anos - temos mais duvidas do que certezas e por esse motivo estamos sendo ainda conservadores nos nossos investimentos.

Algumas possibilidades que estamos avaliando e ainda tudo muit preliminar:

- Aguardar a cidadania americana e depois voltar ao Brasil para permitir que nossos filhos convivam com os avos e familia, mas garantindo que eles poderao voltar aos USA no futuro, caso essa seja a opcao escolhida por eles. Se tudo correr de acordo com o planejado, devemos receber o green card ainda esse ano e teriamos mais 5 anos ate poder aplicar para cidadania. Vamos colocar mais um ano de "contingencia" e potenciais atrasos - estamos falando de um plano de 7 anos, aproximadamente. Como, em teoria, continuarei trabalhando na empresa onde estou durante esse periodo - poderei atingir um patrimonio de, aproximadamente, BRL 3.4 milhoes em Dezembro/2027 utilizando um cambio de USD 1 = BRL 4.50 (acredito ser um cambio adequado para projecao futura). Considerando a famosa taxa de retirada de 4% (depois podemos discutir se isso se aplica ao Brasil ou nao), teria um a renda anual de BRL 136K ou renda mensal de BRL 11.3K

- Aguardar o green card e comecar a explorar alternativas no mercado para mudanca de empresa/setor e oportunidades de maximizar a renda e mudar para local de custo mais baixo, de forma a antecipar o plano e tentar atingir os valores mencionados em um periodo mais curto - algo como 4 a 5 anos e entao voltar ao Brasil para conviver com a familia. Nao gosto muito desse plano, pois teria de combinar uma mudanca de empresa / setor (que sempre pode ser uma oportunidade) com uma mudanca geografica - que sempre traz uma dor de cabeca. Eu odeio embalar, desembalar e transportar coisas e so por isso ja me mudei 6 vezes em 12 anos. Preciso reduzir essa media - e alem disso, uma mudanca antes da cidadania, significa que ao menos um dos meus filhos teria um caminho mais dificil caso queira retornar aos USA.

- Alterar o local e ir morar na Europa ja buscando um equilibrio maior entre trabalho x vida pessoal. A vantagem da Europa (e aqui estou falando de Portugal, pois sou cidadao portugues) sao os custos reduzidos com plano de saude (um grande problema nos USA); alem da cultura mais proxima do que estamos acostumados. Alem disso, meus filhos nao precisariam se preocupar com questoes de visto ou imigracao, pois ja sao tambem cidadaos portugueses e podem viver na Uniao Europeia (ao menos, ate que alterem as regras de imigracao por la). Esse ultimo plano de atrai bastante pois Portugal tem um baixo custo de vida, nao tem despesas medicas absurdas, tem boa comida e excelentes niveis de seguranca. Nao e um lugar com tantas comodidades como USA, mas e algo atrativo para epoca da "aposentadoria". Estou pesquisando e os numeros ainda sao muito preliminares, mas tenho indicacoes de que renda de EUR 2.000 / mes, voce vive muito bem em cidades fora do circuito Lisboa - Porto.


Bom, acredito que muitos desses planos tambem se deve a esse cansaco do mundo corporativo em geral - mas, quando voce tem filhos, comeca a pensar mais nos impactos das suas decisoes. Nesse momento, o plano que mais agrada a Sra Executiva e eu e o primeiro plano aguardando a cidadania americana ... mas estamos tambem considerando utilizar parte da Reserva que temos hoje para construir imovel no Brasil e aumentar o patrimonio. O meu sogro/sogra tem um terreno no interior de Sao Paulo e querem construir para revenda - estamos analisando os numeros para verificar a viabilidade e podemos ter, no futuro proximo, um Executivo Construtor Pobre.


Vamos entao a Atualizacao Patrimonial com o fechamento de Janeiro.


1 - Reserva de Emergencia (USD 82.352 ou BRL 448.000): esse valor representa agora 16 meses das despesas mensais, sem nenhum tipo de reducao de superfluos. Parte desse dinheiro esta no Brasil e seria destinado a construcao do imovel para revenda - acredito que no proximo mes ja devo ter os numeros mais detalhados para entender se realmente tenho uma oportunidade nas maos ou nao. Comecar a remunerar melhor o dinheiro no Brasil (claro que assumindo mais risco) e criar um negocio em paralelo a minha atividade principal seria algo bastante interessante.

2 - Investimento Acoes USA (USD 53.726 ou BRL 292.269): dinheiro aplicado em 3 fundos, sendo a maior participacao (50%) em fundo que replica o indice S&P500.

3 - Investimento em REIT / Imovel (USD 83.200 ou BRL 452.608): dinheiro aplicado em 5 REITs e participacao em um imovel de aluguel.


Esse e o panorama geral no momento e conforme eu comentei anteriormente, estamos analisando um horizonte de 5 a 7 anos e tentando balancear um pouco mais trabalho x lazer e buscando qualidade de vida. Claro que pensar em construir casas aumenta o peso do trabalho na balanca, mas pode ser um investimento para comprar tempo futuro e maximizar o peso do lazer na balanca em uma janela de 5 a 10 anos. Espero ter os numeros analisados para iniciar os contatos com prestadores de servicos e confirmar preco de materiais, para ter certeza de os numeros no papel sao proximos da realidade.

Um grande abraco,

18 comentários:

  1. Realmente o mundo coorporativo nunca decepciona! Sinto exatamente o mesmo! Bom saber que tem mais pessoas como eu que sabem que esse é o preço a se pagar.

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    1. Ola anon - tudo bem ? Eu acredito que e uma questao de prioridades x preco que se esta disposto a pagar para subir os degraus do mundo corporativo. No meu caso especifico, eu cheguei no patamar onde gostaria de chegar (acho ate que acabei ficando um degrau acima do que seria ideal) e com a chegada dos meus filhos, outros aspectos da minha vida passaram a pesar mais na balanca.

      Nesse cenario que entra a independencia financeira (que eu ainda nao tenho), que pode ajudar bastante a tomar decisoes sem ter o peso de encontrar recursos para contas serem pagas todo final do mes.

      Como eu disse, eu ainda nao atingi a IF - mas com a rede de protecao que meu patrimonio permite - eu poderia, eventualmente, retornar ao Brasil e me dedicar a algumas atividades meio periodo (como complemento de renda) e ter mais tempo livre para acompanhar o crescimento dos filhos e me dedicar aos meus hobbies. Se com somente uma rede de protecao temporaria com o meu patrimonio, ja da para avancar em planos desse tipo - imagino as possibilidades quando a IF for atingida.

      Acredito que as empresas vao se ajustando para atrair talentos e o equilibrio entre vida pessoal e trabalho passara a ser uma exigencia. Entretanto, tambem acredito que estamos muito longe de isso se tornar realidade (temos apenas algumas poucas empresas indo nesse caminho), pois em momentos de crise como o atual - o funcionario perde muito poder de escolhe ja que existe um excesso de bons profissionais disponiveis no mercado. Mas com o tempo, e no longo prazo (bem longo) isso deve se alterar, assim como as relacoes de trabalho vem se alterando nos ultimos 200 anos ... infelizmente, e longo prazo mesmo e ja nao estaremos por aqui para ver os resultados.

      Um grande abraco,

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  2. E é justamente essa cultura que tira mulheres da isonomia frente a homens no mercado de trabalho. Excelente reflexão!

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    1. Ola Biondo - tudo bem ? Na verdade, a questao da isonomia entre generos no mercado de trabalho - como qualquer tema complexo - tem muitas variaveis, mas eu acho interessante observar como as perspectivas sao diferentes em cada cultura.

      Veja voce, uma pessoa que tem pai ou mae em casa (somente um deles trabalhando fora) chegara mais ou menos preparada a universidade ? Muitos por aqui dizem que ter um dos pais em casa tem um efeito positivo na educacao e esse efeito positivo afeta o desempenho no college, que por sua vez afeta a forma como as ofertas de trabalho vao chegar a voce. Na maior parte das vezes, os melhores alunos nao precisam nem procurar boas vagas - as empresas acabam procurando por eles.

      Se tivermos uma mulher que cresceu nessas condicoes - ela estaria em situacao de vantagem perante as demais ? E, considerando, as novas politicas das empresas de aumentarem o numero de mulheres em cargo de lideranca - as jovens dessa geracao nao estariam em situacao de vantagem tambem ?

      O equilibrio de condicoes e algo praticamente impossivel de ocorrer devido as inumeras variaveis que afetam o mercado de trabalho. Mas, eu entendi tambem o seu ponto e concordo que as mulheres sofrem bem mais para manter carreira e vida pessoal/familiar (principalmente com filhos) em paises onde nao existe essa cultura de participacao dos homens nas tarefas domesticas e atividades com as criancas.

      Infelizmente, o Brasil ainda e um pais assim e isso prejudica nao somente as mulheres, mas tambem as criancas que acabam por nao usufruir de uma potencial boa referencia paterna nesses temas familiares.

      Um grande abraco,

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  3. EP, está considerando em seus planos a eventual perda de nacionalidade em virtude da aquisição de uma outra?

    Não sei como funciona para em relação às cidadania portuguesa, mas, especificamente em relação à brasileira, a aquisição VOLUNTÁRIA de uma nova implica em renúncia da brasileira.
    Esse parece ser o caso em que se enquadrará se obtiver a cidania americana.
    Se houver regra parecida em Portugal, não terá como mudar para lá após a naturalização americana.

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    1. Por curiosidade, pesquisei o assunto e vi que a lei portuguesa é bem mais tranquila que a brasileira.
      http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=614&tabela=leis&so_miolo=

      Resumindo: se voluntariamente adquirir a cidadania americana, perderá a brasileira, mas manterá a portuguesa.

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    2. Sobre a perda da nacionalidade brasileira:

      http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/perda-da-nacionalidade

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    3. Ola pessoal - tudo bem ? Deixa eu tentar consolidar as opcoes e como esta sendo tratado a questao de perda de nacionalidade.

      Vamos primeiro na questao mais simples - a cidadania luso-brsileira. Nesse caso, os dois paises tem acordo para dupla cidadania e que garantem a manutencao das duas cidadanias. Alem disso, eu tenho a chamada cidadania portuguesa originaria, que a constituicao federal define as regras para manutencao de cidadania brasileira quando a "dupla" cidadania e adquirida atraves da cidadania originaria.

      Agora vamos ao ponto mais complexo - as cidadanias Portugal / USA e Brasil / USA. Para a questao Portugal / USA, nao tem a menor dificuldade. Portugal permite que os seus cidadaos tenham dupla nacionalidade (inclusive com USA) - algo que deve ser bem comum considerando a geografia e a facilidade de migracao das familias dentro do continente europeu.

      Em relacao a cidadania Brasil / USA - e verdade que a constituicao federal determina que a cidadania adquirida de forma voluntaria, pode levar a "renuncia" da cidadania brasileira. Mas, diferente do colocado no comentario, isso nao e um processo automatico. O processo tem de ser iniciado pelo Ministerio da Justica e ser julgado - o caso mais recente foi de uma brasileira que fugiu para o Brasil apos matar o marido. Como ela tinha adquirido a cidadania americana e havia um pedido de extradicao, o Ministerio da Justica abriu o processo para julgar a perda da cidadania e poder extraditar a pessoa. Mas isso e um caso muito incomum.

      Por esse motivo, eu nao estou preocupado em perder a cidadania brasileira. Nao acredito que o Ministerio da Justica vai iniciar um processo sem ser "provocado" a fazer isso. E ainda assim, caso eu queira viver no Brasil, eu posso fazer isso com a cidadania portuguesa - bastando um requiremento de visto permanente e demontrar que teria condicoes de me manter no pais.

      Portanto, em ultimo caso, perder a cidadania brasileira nao ira trazer maiores impactos - ja que eu nao perderia a cidadania portuguesa.

      Um grande abraco,

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  4. É muito bacana ler um executivo falando sobre o preço que se paga para ocupar essa posição hierárquica, é uma faca de dois gumes, de um lado de ganha mais dinheiro e mais status, ao mesmo tempo em que se perde um pouco de qualidade de vida e a separação 'trabalho vs vida pessoal' vai se tornando mais tênue.

    Sobre voltar ao Brasil, eu na sua posição tentaria fazer isso só depois de garantir a cidadania para todos os seus filhos, é uma decisão que será mais custosa para o futuro deles se você tomar errada, não se esqueça que os EUA ainda são (e provavelmente vão continuar sendo) uma nação estável, próspera e que oferece uma ótima perspectiva de vida, já aqui continuamos sendo o "país do futuro".

    Abraços,
    Pi

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    1. Ola Poupador - tudo bem ? A dificuldade da decisao e que ao conseguir a cidadania americana (e mesmo o green card, com algumas pequenas consideracoes) alem de garantir o acesso dos meus filhos aos Estados Unidos, eu tambem crio para eles o dever de pagar impostos nos Estados Unidos - ja que aqui se taxa a renda global do cidadao.

      Portanto, isso tambem e uma faca de dois gumes. Claro que se eles trabalharem no Brasil (que tem uma moeda fraca comparada ao dolar), sera muito dificil eles terem de pagar imposto adicional nos USA - ja que a conversao Real / Dolar seria favoravel para baixar a renda tributavel deles. E, ainda, os USA consideram o foreign tax credit para os americanos que vivem em outro pais - ou seja, voce pode utilizar o imposto pago em outros paises como credito na sua declaracao de impostos americana (existe alguns paises que os USA nao permite a utilizacao desse dispositivo).

      Mas, no geral, eu acabo criando nao somente a oportunidade para meus filhos, mas tambem o dever de pagar impostos - entao, a decisao tem de ser bem pensada. Estou explorando um pouco mais esse tema com os advogados tributaristas da empresa, pois a maior parte dele tambem e estrangeiro e vivem esse dilema com seus filhos.

      Um grande abraco,

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    2. Executivo, não sabia sobre essa questão tributária. É uma decisão realmente de alto impacto para a vida deles, pois terá impacto de longo prazo, agora entendo completamente o quão difícil é sua reflexão.

      Desejo boa sorte!

      Abraços,
      Pi.

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  5. EP, uma curiosidade que gostaria que você abordasse nos próximos posts (se ela se sentir confortável em compartilhar): como foi/tem sido a adaptação da Sra. EP? Mudar de país como esposa(o) de alguém transferido por conta de trabalho acaba colocando o "acompanhante" numa posição de total dependência. Como vocês tem lidado com isso? Alguma dica para casais que estão considerando uma proposta de expatriação em que uma das partes terá que abandonar a profissão no Brasil e começar praticamente do zero no exterior?

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  6. EP, sei que você faz e fez planos para 5,6,7 anos e é ótimo isso... mas eu como pessimista que sou, você já pensou na hipótese da empresa te demitir antes? não estou dizendo que você seja mal funcionário, mas eu já vi muito no mundo corporativo bons profissionais serem demitidos "do nada", ou até mesmo por politica (entre o alto escalão), enfim, acho que é bom ter um plano B.

    Por exemplo, você acha que teria chances de arrumar um outro emprego ai mesmo nos USA em outra empresa? teria essa chance?

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    1. Ola Stiffler - tudo bem ? E verdade, eu tenho planos para mais medio-longo prazo, mas eu penso sim na hipotese da empresa demitir antes. Na verdade, desde que mudei para os USA eu sempre coloco esse fator em minhas analises, porque aqui quando voce e demitido, voce nao recebe verbas indenizatorias como no Brasil - esse e um dos motivos de eu ter uma reserva maior do que o que teria normalmente.

      Aqui na empresa, infelizmente, vem ocorrendo bastante as demissoes mais por fatores politicos/relacionamento do que por fatores tecnicos/desempenho - e e exatamente essa questao do relacionamento que eu tenho de melhorar - apesar de ter pouca paciencia para isso.

      Mas, voltando ao plano caso a empresa me demitir agora:

      1 - Eu tenho cerca de 1.2 milhoes reais que a 6% a.a. me geraria uma renda de 6.000 por mes. Esse valor seria o suficiente para eu me manter com minha familia enquanto busco uma nova recolocacao no Brasil;

      2 - Eu iria morar temporariamente no apto dos meus pais, pois eles estao morando na praia agora que se aposentaram (trbalham meio periodo, mas de forma remota) evitando despesa de aluguel;

      3 - Meus filhos sao pequenos, entao eu nao colocaria em escola inicialmente, esperando eu me recolocar no mercado para poder arcar com essa despesa;

      4 - Minha esposa mantem contato com o pessoal da area dela (que concluiram o pos-doutorado juntos) e ela tem duas propostas de trabalho para voltar hoje ao Brasil - logo, minha esposa voltaria recolocada e continuariamos aportando.

      5 - Em ultimo caso, caso eu decida "utilizar o patrimonio" como reserva - eu teria algo como 120 meses gastando 10.000 / mes (mais do que isso na verdade, porque nao estou considerando os rendimentos obtidos mensalmente) ate esgotar as minhas reservas. Acredito que esses 10 anos seria um tempo mais do que suficiente para eu me recolocar ou desenvolver uma outra fonte de renda.

      Esse seria um plano basico - mas, gracas a Deus e bastante trabalho dos juros compostos (e uma forcinha da renda em dolar), hoje teriamos um patrimonio inicial que nos permitiria enfrentar um eventual desemprego.

      Alem disso, considerando metas ainda no curto prazo - assim que eu acumular USD 600K - caso a empresa nao me demita antes - eu teria a possibilidade de ir para Portugal, pois teria uma potencial renda anual de 24K ou 2K/mes - que e um valor que permite um bom padrao de vida em cidades fora do eixo Lisboa - Porto.

      Respondendo ao seu ultimo questionamento - eu nao procuraria outro emprego nos USA (a nao ser que ja tivesse recebido meu Green Card). Como estou aqui com o visto L1A, eu dependo do meu trabalho para manter meu status ate a chegada do green card - que deve ocorrer ainda esse ano. Portanto, com green card na mao, eu procuraria outro emprego por alguns meses; sem green card na mao, eu voltaria ao Brasil considerando os pontos que mencionei acima.

      Um grande abraco,

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  7. EP, acompanho seu blog ha muito tempo mas a primeira vez que comento. Me considero jovem (tenho menos de 30 anos) e 2 atras comecei a trabalhar para uma grande multinacional francesa na França. Vejo algumas diferenças com seus relatos que me fazem refletir sobre minha carreira. Aqui tudo é mais "socializado" muito esforço não é necessariamente reconhecido na minha opinião, na verdade fazer horas extras (de graca claramente) é até mal visto por uns colegas que taxam que "ta perdendo tempo". O cara que passa das 35 horas de trabalho é considerado não eficiente em fazer o que lhe foi atribuido nas 35 e qualquer logro extra é simplesmente desmerecido na minha opinião. Somente extremamente excepcionalmente grande logros são considerados. Mas o cara que faz constantemente consideravelmente acima do esperado e outro que faz o minimo são tratados iguais. A imensa vantagem do emprego aqui é a segurança, praticamente impossivel perder o emprego por conta das lei trabalhistas pesadas e um seguro desemprego que pode durar 2 anos pagando 90-80% do seu salario (a custa de altas cargas de impostos claro). O meu ponto é, baseado no seus relatos, no fato que me considero jovem, e que estou disposto a aguentar essa pressao desde que sinta que estou evoluindo (tecnicamente, profissionalmente e claro, financeiramente) vc acha que vale a pena ir pra um ambiente de trabalho como o americano? Qual sua posição nesse debate Alta estabilidade - pouca perspectiva X Alto Risco - Mais oportunidades?

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    1. Ola anon - tudo bem ? Voce colocou um tema muito interessante para esse debate. Essa relacao estabilidade x perspectiva e sempre algo dificil de estabelecer, porque as pessoas mudam com o tempo e tambem mudam os objetivos.

      Por exemplo, se me fizesse essa pergunta alguns anos atras, eu diria que como voce e jovem e tem bastante "gas" vale a pena arriscar em ambientes mais agressivos e tentar uma alta remuneracao ja no inicio da carreira - obviamente, considerando a pressao e stress que vem relacionado a isso. Eu mesmo aceitei alguns desafios no passado, que hoje eu nao aceitaria.

      No momento que aceitei, eu estava mirando em uma carreira internacional, oportunidade de liderar grandes equipes, ser responsavel por grandes orcamentos e participar em grandes projetos. Uma das coisas que eu abri mao para perseguir esse sonho naquele momento foi a graduacao em Direito - que hoje, me permitiria uma transicao de profissao ou mesmo atuar dentro do sistema judicial brasileiro (um sonho antigo) como promotor ou delegado. Tambem abri mao de convivencia com familia e amigos (como agora que moro em outro pais) e me dediquei mais aos estudos (tenho duas pos latu-senso e um mestrado em excelentes universidades). Obvio que tudo isso me "forcou" a abrir mao de algumas coisas.

      O emocionante da historia e que nada garante que se voce vier para USA e tentar buscar um trabalho que permita mais esses desafios (ainda que nao tenha estabilidade) voce vai ter reconhecimento, oportunidade e vai chegar la. Voce pode vir e se submeter ao stress e pressao e o resultado financeiro ou desenvolvimento que voce espera - pode simplesmente nao acontecer. E isso porque tem muitas variaveis na mes que fica quase impossivel montar uma equacao.

      Infelizmente, a coisa nao e positivamente correlacionada. Voce pode se esforcar e ser o melhor tecnicamente e nao ter a oportunidade que espera porque seu chefe esta priorizando outra pessoa. Voce pode novamente ser o melhor funcionario, mas a empresa entrar em uma espiral financeira muito ruim.

      Muitas coisas podem ocorrer - entao para nao fugir da resposta a sua pergunta: eu iria sim procurar um lugar onde eu sinta que estou me desenvolvendo (pricipalmente financeiramente), mas procuraria ter certeza de que eu ja nao estou nesse lugar. As vezes, a empresa com toda a estabilidade que existe na Franca, pode te proporcionar otimo desenvolvimento - alem do idioma e desenvolvimento cultural (a Franca ainda e o principal polo artistico do mundo).

      Essa experiencia + rendimento em Euros (com certa estabilidade que existe na Franca) podem te levar a um otimo resultado no futuro. Alem da possibilidade de usar essa estabilidade para empreender (fora do horario de trabalho) em algo que voce goste e acelerar sua IF.

      Agora, se voce gosta do mundo corporativo e quer fazer carreira - entao eu pensaria seriamente em vir para a Land of the Free and Home of the Braves.

      Um grande abraco,

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    2. Valeu pela resposta EP. Sou do interior do CE e meus pais bastante simples, os dois comerciantes. Então dado que não tenho referencia em casa, sempre estou vendo em blogs conselhos sobre como levar uma carreira. Obrigado pelo blog nessa parte tbm pois ajuda a galera a entender como é construir uma carreira no exterior. E também os perrengues que passamos às vezes hahaha.
      Até agora eu tenho estado em modo "trabalho escravo", trabalhando altas horas, por pouca grana e aceitando tudo, foi minha tecnica pra garantir um emprego (e um visto) aqui na França. Mas agora que ja arrumei um contrato estavel esta na hora de comecar a me impor um pouco e cobrar o que meu trabalho vale. Inclusive tenho negociação salarial em umas semanas e ja estou preparando meu speech hahaha. Esse seria um bom tema de post tbm pra vc, como vc fez/faz negociação de salario.
      Valeu pelo blog
      Abraço

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  8. Primeiramente, parabéns pelo Blog! Gosto bastante do conteúdo, consigo sentir suas dores e também vibrar junto com as conquistas! :)
    Achei bem interessante seu pensamento para o futuro, não sei bem a área e função que exerce, mas a Europa pode ser um lugar bem atrativo. Mudei com minha família para Alemanha há 07 anos, e temos uma qualidade de vida excelente!

    Quanto ao trabalho, acredito que chega-se um nível em que fica difícil o tal "balanço". O que faço é "criar" os espaços para a família no calendário e aquele momento realmente fico 100% focado nisto!

    O que me ajudou a relaxar recentemente, clarear a cabeça e pensar nas prioridades da vida, foi tirar um período sabático (07 meses). Devo dizer que foi um dos melhores momentos da minha vida, com muito tempo pessoal, para a família e cuidando da saúde física e mental!

    Voltar ao Brasil sempre aparece algumas vezes ao ano nos bate-papos com minha Sra. Pensamento similar ao de vocês, para as crianças passarem mais tempo com os avós, mas a situação no BR é sempre complicada, né? Infelizmente ...

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